Reading List | O Cemitério de Praga

O Cemitério de Praga

Estou a terminar de ler O Cemitério de Praga, de Umberto Eco e, mais uma vez, o autor não desilude na trama e prende com a sua escrita magistral. Eco é, seguramente, um dos principais escritores italianos da actualidade e, desde O Nome da Rosa, lido nos meus vinte anos, que é um dos meus escritores favoritos.

Publicado originalmente em 2010, este livro leva-nos até ao século XIX, num percurso entre Turim e Paris, durante o qual somos confrontados com um sem-número de personagens que parecendo fictícias o não são. A arte de Eco junta uma escrita irrepreensível e cativante a uma capacidade de identificar personagens e factos reais que parecem saídos da mais delirante imaginação, articulando-os numa trama que prende o leitor ao longo de mais de quinhentas páginas.

Li a obra na edição portuguesa da Gradiva que beneficia de uma excelente tradução. Os leitores do Brasil podem encontrar este livro editado pela Editora Record.

Para deixar uma (pequena) ideia do que podem encontrar em O Cemitério de Praga, deixo a sinopse da edição portuguesa:

“Durante o século XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres num esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades do Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, a disseminação gradual daquela falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios de Sião (que inspirará a Hitler os campos de extermínio), jesuítas que tramam contra maçons, maçons, carbonários e mazzinianos que estrangulam padres com as suas próprias tripas, um Garibaldi artrítico com as pernas tortas, os planos dos serviços secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, os massacres numa Paris da Comuna em que se comem os ratos, golpes de punhal, horrendas e fétidas reuniões por parte de criminosos que entre os vapores do absinto planeiam explosões e revoltas de rua, barbas falsas, falsos notários, testamentos enganosos, irmandades diabólicas e missas negras.

Óptimo material para um romance-folhetim de estilo oitocentista, para mais, ilustrado com os feuilletons daquela época. Há aqui do que contentar o pior dos leitores. Salvo um pormenor. Excepto o protagonista, todos os outros personagens deste romance existiram realmente e fizeram aquilo que fizeram. E até o protagonista faz coisas que foram verdadeiramente feitas, salvo que faz muitas que provavelmente tiveram autores diferentes. Mas quando alguém se movimenta entre serviços secretos, agentes duplos, oficiais traidores e eclesiásticos pecadores, tudo pode acontecer. Até o único personagem inventado desta história ser o mais verdadeiro de todos, e se assemelhar muitíssimo a outros que estão ainda entre nós. Um romance fantástico, de um autor que uma vez mais mostra saber como nenhum outro combinar erudição, humor e reflexão.”

(English Version)

Reading List | The Prague Cemetery

I’m finishing reading The Prague Cemetery, by Umberto Eco and, again, the author does not disappoint in the plot and holds the reader to the book with his masterful writing. Eco is surely one of the leading Italian writers of today and since The Name of the Rose, that I read in my twenties, is one of my favorite writers.

Originally published in 2010, this book takes us to the nineteenth century, on a route between Turin and Paris, during which we are faced with a multitude of characters that although  looking fictitious are not. The artistry of Eco joins a blameless and engaging writing with an ability to identify characters and real facts that seem to be taken right out of the wildest imagination, linking them in a plot that holds the reader over more than five hundred pages.

To leave a (small) idea of ​​what you can find in The Cemetery of Prague, I leave the synopsis of Portuguese edition:

“During the nineteenth century, between Turin, Palermo and Paris, we found a hysterical Satanist, an abbot who dies twice, some corpses in a Parisian sewer, one garibaldino whose name was Ippolito Nievo, lost at sea in the vicinity of Stromboli, the false bordereau of Dreyfus for the German embassy, ​​the gradual spread of that forgery known as The Protocols of the Elders of Zion (that inspire Hitler’s extermination camps), Jesuits who plot against Freemasons, Masons, Carbonari and mazzinianos that strangle priests with their own guts an arthritic Garibaldi with crooked legs, the plans of Piedmontese secret services, French, Prussians and Russians, the massacres in Paris of the Commune in which they eat mice, dagger blows, horrible and stinking meetings by criminals that plan between Absinthe vapors, explosions and street riots, false beards, false notaries, diabolical sororities and black masses.

Great material for a novel-feuilleton of nineteenth-century style, moreover, illustrated like the feuilletons from that time. There is all here to please the worst readers. Unless a detail. Except the protagonist, all the other characters of this novel actually existed and did what they did. Even the protagonist makes things were really done, except that much of what he makes probably had different authors. But when one moves between secret services, double agents, traitors and sinners, anything can happen. Even that the only character invented in this story be the truest of all, and very much resemble the others who are still with us. A fantastic novel, an author who once again shows to know like no other how to combine erudition, humor and reflection. “

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Reading List | O Cemitério de Praga

2 thoughts on “Reading List | O Cemitério de Praga

    1. Se gostares de uma escrita em que o caricato das situações e dos personagens é ressaltado, este é o livro. Eco escreve muito bem e é um homem de uma enorme cultura o que faz com que os seus livros sejam excepcionais.
      Obrigada por passares por aqui.

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