Silver Screen | Filmes de Outubro

(Scroll Down for English Version)

Os filmes de Outubro surgem já em forma de balanço com duas películas que continuam em cartaz e que me tocaram de formas diferentes. O Estagiário (O Senhor Estagiário, no Brasil) fez-me rir bastante, beneficiando da presença de dois actores que muito aprecio. Crimson Peak (A Colina Escarlate), com o seu ambiente gótico e forte componente visual, teve sobre mim um efeito encantatório que ainda estou a tentar compreender.

crimsonpeakposter01

Em Crimson Peak (ver Trailer), quando o coração de Edith (Mia Wasikowska) é conquistado por um estranho sedutor (Tom Hiddleston), a jovem noiva é levada para uma casa no topo de uma colina de argila vermelha onde irá habitar com o marido e a irmã deste, Lucille (Jessica Chastain). Allerdale é uma mansão isolada e em ruínas e um lugar repleto de segredos. “Entre o desejo e a escuridão, o mistério e a loucura, encontra-se a verdade por detrás de Crimson Peak.”

Crimson-Peak-1280x600-1000x600

Segundo o seu realizador, Guillermo del Toro, Crimson Peak “mais do que um filme de terror é uma história de fantasmas, ou seja, tem mais a ver com segredos e arrependimentos do que com sustos”. Para mim, que não sou apreciadora do género (terror), é talvez aqui que radica o atractivo do filme. Na assustadora relação entre os personagens, em que se cruza amor, obsessão, violência, dependência e controlo. O enredo pode parecer previsível com a perfídia do protagonista a ser redimida, no final,  pelo amor à sua jovem noiva. Mas a alteração de forças nas relações que unem o triângulo constituído pelos personagens principais é a rede em que, ao longo do filme, se expressam os excelentes desempenhos destes três actores. Nos cenários quase fantásticos do filme, a dor, o remorso e a solidão dos personagens surgem ainda mais reais e, talvez por isso, cativantes.

Certamente que a história é bastante linear, mas nas suas entrelinhas e nos ambientes que evoca, ecoam as lembranças de muitas outras histórias. Sem que a alusão seja feita de forma explícita, há algo de Jane Eyre, do Monte dos Vendavais, ou de Rebeca, e esses indícios ajudam a construir a expectativa e apreensão que vai crescendo no espectador.

É, sem dúvida, um filme visualmente deslumbrante, com uma produção irrepreensível em termos de cenografia e guarda roupa,  e com uma fotografia cuidada, desde os enquadramentos à paleta de cores, que é prodigiosa.

the-intern

Na comédia O Estagiário (ver Trailer), os vencedores de Óscares Robert De Niro  e Anne Hathaway  contracenam sob a direcção de Nancy Meyers. De Niro é Ben Whittaker, um viúvo de 70 anos que descobre que a reforma não é exatamente o que imaginava e decide, por isso, voltar ao ativo tornando-se um estagiário sénior num site de moda online, fundado e dirigido por Jules Ostin (Hathaway). Apaixonada pelo seu trabalho mas sobrecarregada, Jules luta para manter sua família, fazendo malabarismos para gerir a sua agenda e as inquietações do marido “dono-de-casa”. Quando De Niro é designado para ser estagiário pessoal de Hathaway, a sua parceria, inicialmente desconfortável, transforma-se rapidamente numa amizade indispensável.

O Estagiário, que beneficia, principalmente, do talento e da admirável cumplicidade que se estabelece entre os dois actores principais, tem momentos ligeiros de comédia que nos arrancam boas gargalhadas. A forma politicamente correcta como se descreve a importância da presença de pessoas com mais idade (e experiência) no local de trabalho e o tema da igualdade de géneros em contexto profissional e familiar não pode deixar de nos lembrar o quão distantes estas premissas da história do filme estão da habitual realidade.

the_intern_460x260

(English Version)

Silver Screen | October Movies

October movies have come in the form of a balance with two films that are still in theaters and that touched me in different ways. The Intern  made me laugh a lot, benefiting from the presence of two actors who I really appreciate. Crimson Peak, with its gothic atmosphere and strong visual component, had on me one incantatory effect that I am still trying to understand.

In Crimson Peak (view trailer), when the heart of Edith (Mia Wasikowska) is stolen by a seductive stranger (Tom Hiddleston), the young bride is taken to a house on top of a hill of red clay where she will dwell with her husband and his sister, Lucille (Jessica Chastain). Allerdale is an isolated mansion in ruins and a place full of secrets. “Between the desire and the darkness, mystery and madness, lies the truth behind Crimson Peak.”

According to its director, Guillermo del Toro, Crimson Peak “more than a horror film is a ghost story, in other words, has more to do with secrets and regrets than scares.” For me, not being fond of the genre (horror), it is perhaps here that lies the attraction of the film. In the frightening relationship between the characters, which intersects love, obsession, violence, dependency and control. The plot may seem predictable, with the perfidy of the protagonist to be redeemed in the end, by the love for his young bride. But changing forces in the relations that unite the triangle made up of the main characters is a network in which, throughout the film, are expressed the excellent performances of these three actors. In the nearly fantastic scenery of the film, the pain, remorse and loneliness of the characters appear even more realistic and perhaps, because of that, so captivating.

Certainly the story is very linear, but in between its lines and in its atmosphere, evokes echoes of the memories of many other stories. Without that allusion being made explicitly, there is something of Jane Eyre, from Wuthering Heights, or Rebecca, and these clues help to build anticipation and a growing apprehension in the viewer.

It is undoubtedly a visually stunning film with impeccable production in terms of set design and wardrobe, and with a careful art photography from the  framing to the prodigious color palette.

In the comedy The Intern (view trailer), the  Oscars winers  Robert De Niro and Anne Hathaway lead under the direction of Nancy Meyers. De Niro is Ben Whittaker, a widower of 70 years who discovers that reform is not exactly what he thought and decided, therefore, to return to active becoming a senior trainee in an online fashion website, founded and directed by Jules Ostin ( Hathaway). Passionate about her work but overloaded, Jules struggles to keep her family, juggling to manage her schedule and the restlessness  of her “stay at home dad” husband. When De Niro is designed to be personnel Hathaway trainee, their partnership, initially uncomfortable, quickly becomes an indispensable friendship.

The Intern, which benefits mainly from the talent and admirable complicity established between the two leading actors, has moments of light comedy that can bring you to a good laugh. The politically correct way to describe the importance of the presence of people with mora years (and experience) in the workplace and the issue of gender equality in professional and family environment can not prevent  to remind us how far the story of the film is from reality.

Advertisements
Silver Screen | Filmes de Outubro

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s